1.
Princípios

A AGULHA NUM PALHEIRO apresenta um universo de casas antigas, composto por fracções e edifícios para reabilitar, construídos até à década de 1970, que necessitam de melhorar ou actualizar as suas condições de habitabilidade, permitindo conservar em grande parte dos casos, as características específicas originais.
Quando falamos de Reabilitação podemos estar a falar de intervenções muito diversas. Porquê?


Porque dependem:
- do tipo de edifício - agir sobre um palácio do séc. XVI, um edifício pombalino ou um edifício dos anos 1950 implicam atitudes distintas;
- do estado de conservação - intervir num edifício abandonado há mais de 20 anos ou num edifício continuamente habitado a necessitar de obras de actualização (cozinha e casa de banho) exige abordagens diferenciadas;
- da função/uso - transformar um edifício de habitação dos anos 1920 para receber famílias do século XXI ou adaptá-lo a um hotel implica premissas muito diferentes.

Na cidade histórica existem casas em muito boas condições, bem construídas, com boas proporções e com capacidade para responder às necessidades de hoje. Porquê?

Este recurso físico existente é muito valioso, porque não pode ser reproduzido em escala e, nesse sentido, é fundamental avaliar correctamente o que se destrói e o que se conserva. Reabilitar é um processo delicado. Porque a natureza da intervenção exige a competência de técnicos especializados, para que não se corram riscos desnecessários.

Links úteis:
Estratégia de Reabilitação Urbana de Lisboa
Portal da Habitação - Reabilitação Urbana

1.1 O Investimento

Investir na Reabilitação significa não só poder vir a usufruir de uma casa com características únicas, mas é também uma aposta num valor seguro. Porquê?

Investir na Reabilitação significa não só poder vir a usufruir de uma casa com características únicas, mas é também uma aposta num valor seguro. Porquê?
Porque as características singulares e específicas destes imóveis não vão repetir-se, por razões económicas e legais. A versatilidade da organização interior, os pés-direitos muito altos, os tectos trabalhados e outros pormenores que exigem mão-de-obra muito qualificada, são formas de construção cada vez mais raras.
Por outro lado, o valor do solo na cidade consolidada, leia-se centro histórico, é menos variável, porque se trata de um território urbanizado, de elevada qualificação.
Na avaliação deste tipo de imóveis, para além da área e da organização interna, é tido em conta o contexto onde se insere, que é estável, ao invés de outros ‘produtos imobiliários’ criados em territórios em transformação, mais susceptíveis a mudanças de enquadramento político e económico.

Fazer obras não significa valorizar uma casa. Porquê?
A valorização pressupõe a identificação dos pontos fortes e dos pontos fracos do imóvel, para que a intervenção enalteça os primeiros e resolva os segundos.
Nas casas antigas as actualizações mais correntes acontecem nas zonas de serviços – cozinha e casa de banho – pois são compartimentos com um maior desgaste e que sofreram muitas alterações devido à mudança de hábitos.

Uma intervenção muito transformadora dos espaços pode não valorizar a casa. Porquê?
Uma grande intervenção pode destruir o carácter dos espaços sendo fundamental investir numa correcta avaliação prévia. Há casos em que são feitas intervenções muito eficazes com pequenas alterações físicas, poupando recursos e tirando partido do existente.

Não é o custo da obra que garante um melhor investimento. Porquê?
Fazer as decisões certas e intervir nos pontos chave é a única forma de garantir uma acção conciliadora das necessidades do usufrutário, duradora e que valorize o imóvel em transações futuras.


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1.2 A Olho Nú

A avaliação do potencial de uma casa antiga é feita nos primeiros momentos em que se emerge num espaço. Como?

A avaliação do potencial de uma casa antiga é feita nos primeiros momentos em que se emerge num espaço. Como?
Resulta de uma apreciação sensorial, de harmonias e de proporções. Neste confronto temos a percepção do estado de conservação, embora seja uma constatação superficial. Para validarmos essa opinião empírica é fundamental um olhar técnico, com lente afinada para uma leitura mais profunda que identifique as forças, as fraquezas, os eventuais riscos, o estado de conservação, a viabilidade e os custos inerentes da intervenção, tendo em conta o uso a que se destina.
O olhar técnico hierarquiza as prioridades, sendo que o maior investimento deve ser feito na consolidação estrutural e nas infra-estruturas e só depois nos acabamentos e equipamentos.


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